Friday, 19 September 2008

Pensamentos de um soldado na Canteen.

A imagem do próprio é fundamental dentro de um projecto artístico. Todo o artista deve ter esta noção, se não quer correr o risco de ser considerado ingénuo. Tem de saber como a sua personalidade (ou a forma com que a apresenta) se posiciona em relação à obra, ao público e a si mesmo. Qualquer artista (qualquer que seja o seu método, técnica ou mensagem) é antes de mais um performer, portanto o primeiro assunto que tem de resolver é a si mesmo.

Primeiro período do 12º ano de Imagem e Som.


Houve uma altura em que a obra era mais do que o artista. Depois a obra começou a existir em função da construção da personalidade do artista. Agora, houve o 11 de Setembro e a Wikipedia. O retorno do anonimato e da consciência de multidão. E ao mesmo tempo, estes miúdos emos - o individualismo romântico mais o fatalismo japonês. As maiores contradições, perfeito para um Gémeos.
Agora a mudança para o centro da actividade e a exposição à responsabilidade. São esperadas respostas.

Monday, 1 September 2008

As personagens de Londres.


Imaginem uma zona onde há de tudo. Só não há a vossa casa (mas há a da Winehouse) nem dinheiro para gastarem, o que não é uma má situação, pelo contrário - podem usar tudo e depois ir embora no fim. No dia seguinte lá estará Camden Town à espera outra vez, mais freak e usada que antes, para ser novamente usada. É tão generosa, Camden, que se transforma para quem a visitar. Está lá a pseudo-intelectualice, a ecofriendlinésse, a japomania, a cybernice, o punk morto, o vintageretrolove. Camden interessa-se por todos, fala com todos e percebe tudo. Está disponível a qualquer hora, para ser cura de egos desesperados ou divertimento alternativo. Não há nada que assuste Camden porque ela já viu de tudo e não há nada que a surpreenda porque sabe que qualquer coisa pode acontecer.

O segredo de Camden, que foi o segredo que me contaram e o segredo que aprendi, é que não espera encontrar conforto - simplesmente, oferece-o.

Friday, 22 August 2008

The London Five


Ora então estou no canto da cozinha em que a rede do vizinho se apanha mais facilmente, porque parece ser o único sítio em que o Macbook Pro (ao contrário dos outros branquinhos da casa) navega normalmente.
A Rita está a tomar banho no cubículo de chuveiro a que mudamos o dito telefone para que a pressão da água fosse mais eficaz a remover o sabonete, e se o Jack White não estivesse a gritar-me para sermos amigos eu devia ouvir a água dentro das paredes e a bater dentro das paredes do cubículo. Os outros três devem estar algures espalhados pela casa. O Mário provavelmente no seu quarto, sentado à secretária acoplada ao seu beliche de primeiro andar TROMSO da IKEA a ver, sem chamar ninguém, mais um episódio dos Simpsons, e está tudo a postos a seu lado para trabalhar mas o Call of Duty por alguma razão ocupa sempre o ecrã todo e não o deixa. A Phuk e o Daniel habitam a sala e aliciam-me pelo Messenger a juntar-me a eles e ver um filme. Entre nós há talvez 7 degraus... a nossa casa é o filho pós-revolução industrial e pós-crise pós-11 de setembro da árvore dos Robinsons, a que gostamos de chamar Aldeia dos Macacos. O quarto grande que deve ter sido sotão durante pelo menos um século é o meu ninho e da Phuk. Tem um espelho comprido pousado no chão, encostado à parede e três janelas seguidas que dão à casa um mansard roof. Por baixo de nós vive o Zohan, quarenta anos depois da parte da sua vida retratada no filme interpretado por Adam Sandler. Chama-se Peter e é o nosso landlord.
Agora já não é o Jack White a cantar, são os Dirty Projectors. E para a próxima descrevo a casa com um vídeo e não com esta treta toda.

Beijinhos a todos.

Tuesday, 15 July 2008

twenty-nine days to go

Não é que o destino se tenha tornado menos desejável, nem que o que deixo para trás se tenha tornado mais precioso, nem que a mudança me assuste (até posso ter dito que é isso, mas estava a mentir) mas há realmente uns blues sobre esta coisa toda.
Detesto a antecipação longa. Mais um mês? Por favor... Queria partir já e fazer de conta que não tenho ninguém de quem me despedir nem coisas a resolver.
Mas não, tenho um mês.
Vou para a frente com o novo projecto, que tem de passar das palavras para a acção já. Amanhã, hoje!



Entretanto...
_o jantar de turma foi divertido. Gente que não sei quando volto a ver e gente de quem não me vou ver livre tão cedo. Não vou nunca aprender a letra do Hit Me Baby, One More Time.
_esta semana o Marés Vivas com Peter Murphy e Prodigy e afins (a Macy Gray há-de morrer em palco sem eu a ver).. inauguração do mundo fantasma, yay!, e a sessão fotográfica do Daniel, que vai ser gira. Mais aulas de código, com testes agora.
_muito Zelig para ouvir. O Foge Foge Bandido já quase não me foge. Ataxia também não. Mais pop, mais rock, mais progressivo, mais barulho, mais génio... Estou à espera.
_só o Taxidermia me impressionou nestes últimos dias.

Tuesday, 8 July 2008

otobiografi


Era uma menina tagarela, esperta e vaidosa. Insuportável e mimada. E um dia disseram-me: "Tu vais ser minha mulher." ...aquela sensação pesada de leveza no peito...
"E ela vai ser a minha amante."
Não era suficiente.

Wednesday, 18 June 2008